Saúde
Pesquisa Mostra Como a IA Pode Ajudar a Reduzir o Uso de Opioides Após Cirurgia

Pesquisa realizada na Universidade da Pensilvânia, Faculdade de Medicina, no mês passado, demonstrou como a inteligência artificial (IA) pode ser utilizada para combater o abuso de opioides. Ela se concentrou em um chatbot que enviava lembretes para pacientes que passaram por cirurgia para corrigir fraturas ósseas graves.
A pesquisa foi publicada no Journal of Medical Internet Research.
Christopher Anthony, MD, é o autor principal do estudo e o diretor associado de Preservação de Quadril na Penn Medicine. Ele também é professor assistente de Cirurgia Ortopédica.
“Demonstramos que a utilização de medicamentos opioides pode ser reduzida em mais de um terço em uma população de pacientes de risco, entregando psicoterapia por meio de um chatbot”, disse ele. “Embora seja necessário testar com investigações futuras, acreditamos que nossos resultados são provavelmente transferíveis para outras populações de pacientes.”
Uso de Opioides Após Cirurgia
Os opioides são um tratamento eficaz para a dor após uma lesão grave, como um braço ou perna quebrada, mas a prescrição em grande escala desses medicamentos pode levar à dependência e vício para muitos usuários. Isso é o que causou a grande epidemia de opioides nos Estados Unidos.
A equipe de pesquisadores acredita que uma abordagem centrada no paciente, com o uso do chatbot de IA, pode ajudar a reduzir o número de opioides tomados após essas cirurgias, o que pode ser uma ferramenta usada contra a epidemia.
Os pesquisadores também incluíram Edward Octavio Rojas, MD, que é residente em Cirurgia Ortopédica na Universidade de Iowa, Hospitais e Clínicas. Os coautores incluíram: Valerie Keffala, PhD; Natalie Ann Glass, PhD; Benjamin J. Miller, MD; Mathew Hogue, MD; Michael Wiley, MD; Matthew Karam, MD; John Lawrence Marsh, MD, e Apurva Shah, MD.
O Experimento
A pesquisa envolveu 76 pacientes que visitaram um Centro de Trauma Nível 1 na Universidade de Iowa, Hospitais e Clínicas. Eles estavam lá para receber tratamento para fraturas que exigiam cirurgia, e esses pacientes foram separados em dois grupos. Ambos os grupos receberam a mesma prescrição de opioides para tratar a dor, mas apenas um dos grupos recebeu mensagens de texto diárias do chatbot automatizado.
O grupo que recebeu mensagens de texto podia esperar duas por dia, por um período de duas semanas após o procedimento. O chatbot automatizado dependia da inteligência artificial para enviar as mensagens, que saíam no dia seguinte à cirurgia. As mensagens de texto foram construídas de uma maneira que ajudava os pacientes a se concentrar em lidar melhor com a medicação.
As mensagens de texto, que foram criadas por um psicólogo especializado em dor e terapia de compromisso (ACT), não se opunham diretamente ao uso da medicação, mas tentavam ajudar os pacientes a pensar em algo além de tomar uma pílula.
Seis Princípios Fundamentais
As mensagens de texto podiam ser divididas em seis “princípios fundamentais”: Valores, Aceitação, Consciência do Momento Presente, Autoconhecimento, Ação Comprometida e Difusão.
Uma mensagem sob o princípio de Aceitação era: “sentimentos de dor e sentimentos sobre a experiência de dor são normais após a cirurgia. Reconheça e aceite esses sentimentos como parte do processo de recuperação. Lembre-se de que como você se sente agora é temporário e o seu processo de cura continuará. Chame à mente sentimentos ou pensamentos agradáveis que você experimentou hoje.”
Os resultados mostraram que os pacientes que não receberam as mensagens automatizadas tomaram, em média, 41 pílulas de opioides após as cirurgias, enquanto o grupo que recebeu as mensagens tomou, em média, 26. A diferença de 37% foi impressionante, e aqueles que receberam mensagens também relataram menos dor geral duas semanas após a cirurgia.
As mensagens automatizadas não foram personalizadas para cada indivíduo, o que demonstra o sucesso sem sobre-personalização.
“Um objetivo realista para esse tipo de trabalho é reduzir a utilização de opioides para o menor número possível de comprimidos, com o objetivo final de eliminar a necessidade de medicação opiácea no contexto do cuidado de fraturas”, disse Anthony.
O estudo recebeu financiamento por meio de uma subvenção da Associação de Trauma Ortopédico.












