Modelos e plataformas de IA
OpenAI apresenta atlas de raciocínio sobre o cérebro de camundongos criado por agentes GPT-Rosalind

Em 21 de outubro de 2026, a OpenAI anunciou que, junto com a PerturbAI e a Scripps Research, usou milhares de agentes de IA baseados no GPT-Rosalind para analisar, em 32 minutos, dados experimentais existentes de milhões de células do cérebro de camundongos. Os relatórios dos agentes foram reunidos em um atlas de raciocínio disponibilizado publicamente.
Raciocínio biológico distribuído
A abordagem, que a OpenAI chama de raciocínio biológico distribuído, dividiu a análise entre milhares de agentes que examinaram um atlas de CRISPR de todo o cérebro, um conjunto de dados que mostra como alterações em genes afetam diferentes tipos de células em todo o cérebro de camundongos. Cada agente investigou uma alteração genética, analisou as respostas celulares, pesquisou a literatura científica e propôs explicações para os resultados. Os relatórios dos agentes foram reunidos em um atlas de raciocínio que relaciona genes, efeitos celulares, publicações relevantes e possíveis mecanismos biológicos.
A OpenAI afirmou que a equipe de pesquisa estimou que uma análise humana comparável, incluindo a revisão da literatura e realizada uma perturbação de cada vez, levaria de meses a um ano. Os agentes reproduziram resultados de análises humanas e, ao mesmo tempo, identificaram pistas adicionais; suas avaliações de novidade e valor científico também coincidiram com as opiniões de especialistas humanos que não sabiam quais resultados estavam avaliando.
Sarah Teichmann, titular da cátedra de Medicina de Células-Tronco da University of Cambridge e copresidente fundadora do Human Cell Atlas, afirmou no anúncio da OpenAI: “Criamos atlas celulares para que outros cientistas possam fazer descobertas que ainda nem imaginamos. A IA pode ajudar mais pesquisadores a explorar esses recursos e transformar observações inesperadas em novas perguntas a serem investigadas.”
Um preprint complementar, Agentes de IA distribuídos permitem a descoberta abrangente de conhecimentos biológicos em grande escala, foi publicado no bioRxiv em 16 de outubro de 2026 e ainda não foi certificado por revisão por pares. Seus autores são afiliados ao Howard Hughes Medical Institute and Scripps Research, à OpenAI, à PerturbAI e à University of California San Diego; Xin Jin, da Scripps Research, é indicado como autor correspondente. A declaração de conflitos de interesse informa que seis dos autores são funcionários da OpenAI, dois são funcionários da PerturbAI e Grace Zheng e Xin Jin são cofundadores da PerturbAI.
Diferenças de Tsc2 e uma pista relacionada ao colesterol
Segundo o anúncio, os agentes identificaram uma diferença inesperada entre Tsc1 e Tsc2, dois genes que atuam em conjunto para controlar o mTOR, um importante regulador do crescimento celular, do metabolismo e do envelhecimento. Alterar qualquer um dos genes teve efeitos semelhantes em vários grupos de neurônios. No cerebelo, que ajuda a coordenar os movimentos, a alteração de Tsc2 modificou a atividade de dezenas de genes envolvidos na comunicação neuronal, enquanto a alteração de Tsc1 provocou poucas mudanças.
O anúncio observa que, em pessoas com esclerose tuberosa, anomalias no cerebelo estão fortemente associadas a mutações em TSC2. Embora medicamentos que reduzem a atividade do mTOR possam tratar certos tumores cerebrais e convulsões, as dificuldades de aprendizagem e comportamentais associadas à doença continuam sendo um desafio. Os agentes identificaram um grupo específico de neurônios e alterações celulares que merecem ser investigados mais a fundo.
Os agentes também encontraram uma pista em DCTN1, um gene cujas mutações causam a síndrome de Perry, uma doença neurodegenerativa com sintomas semelhantes aos do Parkinson. DCTN1 está envolvido no transporte de cargas dentro dos neurônios e, no atlas, a alteração de Dctn1 aumentou a expressão de genes envolvidos na produção de colesterol. Os agentes relacionaram essa observação a pesquisas que sugerem que problemas no transporte de colesterol podem levar as células a produzir mais colesterol, levantando novas perguntas sobre se a alteração de DCTN1 muda a distribuição do colesterol nos neurônios e se essas mudanças poderiam contribuir para a neurodegeneração. Segundo o anúncio, especialistas humanos consideraram a hipótese original, relevante e digna de investigação.
Tomasz Nowakowski, professor associado de cirurgia neurológica na UCSF, afirmou que a possível relação entre a função neuronal e o metabolismo do colesterol mostra como pistas dispersas por diferentes áreas, quando conectadas, podem oferecer uma nova maneira de pensar sobre a biologia das doenças.
Agentes distribuídos versus um único agente
A equipe testou se um único agente, com acesso ao conjunto de dados completo, seria capaz de igualar o desempenho de milhares de agentes trabalhando em paralelo, mantendo fixos o modelo e os recursos. À medida que a carga de trabalho aumentava, o agente único pesquisava menos a literatura e citava apenas 11 referências na maior carga de trabalho, enquanto os agentes distribuídos citavam mais de 700. Em comparações às cegas, especialistas humanos preferiram os relatórios dos agentes distribuídos aos do agente único em 75% das vezes.
O preprint informa que, sem acesso ao manuscrito original, os agentes recuperaram suas conclusões, previram os efeitos de perturbações cujos resultados haviam sido ocultados e identificaram relações entre perturbações com resultados semelhantes ou opostos em diferentes intensidades de efeito. Os autores afirmam que os agentes distribuídos ampliaram a cobertura da literatura à medida que aumentava a carga de trabalho, recuperando centenas de vezes mais referências do que o modo de agente único, e que especialistas humanos, em avaliações às cegas, corroboraram a classificação das descobertas feitas pelos agentes.
Acesso ao atlas, ao código e ao conjunto de dados
O atlas de raciocínio e a estrutura subjacente Distributed Agents estão disponíveis publicamente em um repositório do GitHub sob licença MIT. O repositório fornece o ambiente de execução do agente, ferramentas para o corpus e notebooks usados nas análises, figuras e tabelas suplementares do manuscrito. Ele documenta um serviço hospedado de corpus somente para leitura, com endpoints MCP que disponibilizam Findings, Claims, evidências de apoio e ferramentas de análise; como o servidor hospedado não inclui os arquivos de dados brutos, o repositório também fornece instruções para executar a estrutura localmente pela CLI do Codex. O commit mais recente do repositório, que atualizou a citação do bioRxiv, a licença e a documentação do serviço hospedado, é datado de 21 de outubro de 2026.
O conjunto de dados analisado é o atlas de Perturb-seq in vivo com CRISPR de todo o cérebro da PerturbAI, disponível no Hugging Face. O cartão do conjunto de dados descreve 7,7 milhões de células e 7.739.370 linhas, totalizando 205 GB, com perfilamento de núcleo único de 19.070 mRNAs e 8.588 sgRNAs, que mede os efeitos de quase 2.000 genes associados a doenças; as anotações celulares são provenientes da Allen Institute Whole Mouse Brain Taxonomy. O cartão identifica um manuscrito publicado no bioRxiv em março de 2026, «Mapeamento funcional em escala genômica do cérebro inteiro de mamíferos com Perturb-seq in vivo», como publicação subjacente ao atlas.
A OpenAI afirmou que os pesquisadores podem usar o atlas para comparar genes relacionados, investigar respostas inesperadas e identificar pistas promissoras a serem exploradas, e que os resultados ajudam a priorizar os experimentos adicionais necessários para testar os mecanismos biológicos propostos.












