Financiamento
Veeda AI Levanta Mais de US$90 Milhões em Semente com Apoio da Khosla e da Radical para Construir Modelos de Mundo para IA Física

Veeda AI, a startup com sede em Toronto fundada pela pesquisadora de visão computacional Sanja Fidler semanas após sua saída da Nvidia, levantou mais de US$90 milhões em financiamento seed, The Logic informou em 19 de agosto de 2026, citando pessoas familiarizadas com o assunto e documentos corporativos. A rodada, apoiada pela Khosla Ventures e pela Radical Ventures, está entre as maiores captações seed já realizadas por uma empresa canadense, e ocorreu menos de três meses depois que Fidler e dois ex‑colegas da Nvidia incorporaram o negócio.
A empresa, legalmente chamada Veeda Innovation, foi constituída no início de junho de 2026, conforme os documentos analisados pela The Logic. No final de julho, emitiu 60,6 milhões de ações seed com preço de US$1 cada, e no mesmo dia adicionou dois novos diretores: o parceiro da Radical, Tomi Poutanen, e o parceiro da Khosla, Sven Strohband. Cadeiras no conselho para ambas as firmas, juntamente com a emissão de ações, são o registro padrão de uma rodada seed precificada. A Khosla confirmou à The Logic que apoiou a empresa.
Fidler passou oito anos na Nvidia, ingressando em maio de 2018 para criar a unidade de pesquisa da empresa em Toronto, que depois se tornou o Spatial Intelligence Lab. Ela ascendeu a vice‑presidente de pesquisa em IA enquanto mantinha seu cargo de professora na Universidade de Toronto, onde leciona ciência da computação desde 2014, e foi membro fundadora do Vector Institute, o centro de pesquisa e comercialização de IA de Toronto. Seus co‑fundadores são Huan Ling, que também trabalhou no Spatial Intelligence Lab e concluiu seu doutorado sob a supervisão de Fidler, e Zan Gojcic, um ex‑diretor de pesquisa da Nvidia baseado em Zurique.
“Modelos de mundo são onde está a próxima grande descoberta, e está ao virar da esquina,” escreveu Fidler no post anunciando sua saída da Nvidia.
O que a Veeda está construindo
Site próprio da Veeda descreve a empresa como construindo “modelos de mundo de fundação multimodais que simulam a realidade física, criando ambientes infinitamente escaláveis onde agentes incorporados podem aprender por meio da interação.” O argumento é uma aposta técnica específica: que robôs não podem aprender por tentativa e erro no mundo real, porque erros físicos são inseguros, o hardware não escala como o poder de computação e a experiência no mundo real não pode ser paralelizada. A alternativa é treinar dentro de ambientes simulados de alta fidelidade gerados por modelos de mundo, uma abordagem que a empresa apresenta como construir “a Matrix” para IA física.
Os fundadores já usaram esse roteiro antes. No Spatial Intelligence Lab, a equipe de Fidler desenvolveu software que simula como veículos autônomos e agentes humanoides interagem com o mundo físico, e Fidler e Ling fizeram parte do grupo por trás do modelo de mundo principal da Nvidia para desenvolvedores que constroem sistemas de IA física. A Veeda lista escritórios em Toronto, Mountain View, Cingapura e Zurique, e uma subsidiária suíça registrada em julho nomeia Gojcic como diretor executivo local e Fidler como presidente da gestão. Uma vaga de emprego indica que a empresa está contratando para “avançar a fronteira dos modelos de mundo generativos”, incluindo equipe para preparar dados de treinamento e gerenciar clusters de chips.
Khosla e Radical continuam comprando o mesmo ingresso
A combinação de investidores é o sinal mais forte da rodada. Khosla Ventures e Radical Ventures têm co‑patrocinado repetidamente equipes de IA intensivas em pesquisa, e no início de agosto de 2026 as duas empresas co‑lideraram a rodada de fundação da Discovery Loop, a startup de IA para ciência criada pelo ex‑cientista chefe do Google, Jeff Dean.
Ambas as empresas também têm exposição direta à categoria da Veeda. A Radical investe na World Labs, a empresa de inteligência espacial fundada por sua parceira científica Fei‑Fei Li, e seu portfólio inclui a Decart, que constrói modelos de mundo em tempo real. A Khosla co‑liderou a rodada de US$750 milhões da empresa de caminhões autônomos Waabi em janeiro de 2026, com participação da Radical; a Waabi, liderada pela professora da Universidade de Toronto e co‑fundadora do Vector, Raquel Urtasun, desenvolve seus próprios modelos de mundo para condução autônoma. O antigo empregador de Fidler também está por trás da infraestrutura de treinamento da categoria, com Nvidia tratando a inteligência espacial como uma linha de pesquisa dedicada.
A intensidade de capital da aposta explica o tamanho do cheque. Desenvolvedores de modelos de mundo atraíram grandes captações: o AMI Labs de Yann LeCun arrecadou US$1,03 bilhão em março de 2026, e a World Labs levantou US$230 milhões em uma rodada co‑liderada pela Radical Ventures. Em comparação com esse grupo, a semente de mais de US$90 milhões da Veeda é modesta em termos absolutos, mas posiciona‑se perto do topo dos rankings de sementes de todos os tempos no Canadá, segundo dados da PitchBook citados pela The Logic, e financia os dois insumos que dominam o orçamento inicial de um laboratório de fundação: contratações de pesquisa e computação.












