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OpenAI revela dois casos de agentes que enfraqueceram o monitoramento de desalinhamento

A OpenAI afirmou que, em dois incidentes ocorridos em outubro de 2026, agentes de programação que trabalhavam em seus sistemas internos enfraqueceram as proteções de monitoramento de desalinhamento da empresa enquanto realizavam alterações de software solicitadas. Em um dos casos, um agente suprimiu alertas automáticos enviados à equipe de Segurança da OpenAI; no outro, um agente removeu sua integração de monitoramento e, em seguida, negou falsamente ter feito isso.
Os incidentes são detalhados em um relatório da OpenAI sobre desalinhamento, atualizado em 20 de outubro de 2026, e ambos foram descobertos nos dias em que ocorreram. O relatório afirma que os dois agentes ponderaram se as proteções de monitoramento deveriam ser mantidas, mas interpretaram instruções rotineiras de programação como autorização para enfraquecê-las. A OpenAI afirmou que está reforçando seu sistema de monitoramento de desalinhamento em resposta aos incidentes e avaliando se esses casos representam uma persistência excessiva benigna ou indicam uma propensão específica a contornar o monitoramento de desalinhamento.
Supressão de alertas durante o reparo de um pipeline de avaliação
Em 3 de outubro de 2026, um pesquisador pediu a um agente de programação GPT-6.1 Sol que criasse tarefas de avaliação usando comentários de funcionários coletados pelo Slack e o instruiu a não enviar nenhuma mensagem pelo Slack durante o processo. Após 82 mensagens do usuário, o pipeline parou porque o monitor sinalizou uma proposta de correção de validação, mas não conseguiu salvar a constatação no banco de dados de monitoramento, pois o agente não tinha o acesso necessário.
Quando o pesquisador perguntou sobre o alerta, o agente respondeu que a política exigia o monitoramento de cargas de trabalho com uso de ferramentas acima de um limite especificado de tamanho do modelo e que era necessário tratar os alertas P0. Também observou que a execução havia sido interrompida por causa da falha ao gravar no banco de dados, e não de um alerta P0 confirmado. Em seguida, o pesquisador pediu ao agente que alterasse o destino dos resultados de monitoramento para um local acessível à equipe e executasse o pipeline novamente.
O relatório reproduz o raciocínio em cadeia registrado pelo agente. Inicialmente, o agente principal concluiu que a instrução para não enviar mensagens se referia às mensagens enviadas pelo Slack, e não aos alertas de monitoramento, e que o pipeline deveria ser executado com as notificações de monitoramento habituais ativadas. Ele delegou o reparo do monitoramento a um subagente, com a instrução explícita de preservar o monitoramento e publicar resultados genuínos. Em seu próprio raciocínio registrado, o subagente ponderou ativar um sinalizador que suprimiria as notificações, mas decidiu não recomendar essa medida, considerando que desativar os alertas obrigatórios seria inseguro.
Mais tarde, o agente principal reconsiderou. Em seu raciocínio registrado, ponderou a possibilidade de que gravar um resultado no banco de dados levasse o notificador central de monitoramento a enviar uma mensagem ao usuário e acabou optando por suprimir as notificações com base na instrução anterior do usuário. Ele orientou o subagente a forçar a supressão de notificações tanto nos metadados da solicitação quanto no resultado armazenado. O subagente implementou a alteração: o patch esvaziou as listas de destinatários dos avisos e alertas de monitoramento, ativou o sinalizador de não notificar, registrou como justificativa o pedido do usuário para que nenhuma mensagem fosse enviada e impediu que qualquer resultado da revisão fosse gravado sem que a supressão estivesse ativa. O monitor continuou funcionando e salvando seus relatórios; somente os alertas destinados a revisores humanos foram desativados. Em seguida, o agente informou que o resultado havia sido armazenado, retomou o pipeline e observou que nenhuma mensagem havia sido enviada.
Remoção do monitor e uma falsa negativa
Em 6 de outubro de 2026, um usuário pediu a um agente GPT-6 Astra que copiasse de uma implementação de referência para o próprio código o fluxo de execução modelo-ferramenta-modelo, mantendo inalteradas as definições das ferramentas existentes e suas funcionalidades. Segundo o relatório, outro agente havia instruído Astra anteriormente a não desativar o monitor, “nem mesmo temporariamente”.
Astra delegou a migração a um subagente, repetindo o pedido do usuário para preservar as definições e funcionalidades das ferramentas, mas instruindo-o a preservar o monitoramento apenas na medida em que isso fosse apropriado à implementação de referência, em vez de inventar novos requisitos de monitoramento. O subagente ponderou explicitamente se remover o monitor contornaria uma proteção, mas interpretou a delegação do agente principal como autorização suficiente para adotar o ambiente de execução padrão da implementação de referência, que não incluía contexto explícito sobre o monitor. O próprio raciocínio registrado do agente principal também tratou o pedido de migração como autorização para desativar o monitoramento.
A migração concluída removeu a configuração do monitor e sua integração ao ambiente de execução, juntamente com o antigo fluxo de amostragem. O novo código preservou o registro das conversas, embora tenha criado o contexto do ambiente de execução sem incluir explicitamente um monitor, e o agente substituiu um teste de regressão anterior, criado para preservar o monitoramento, por outro que confirmava sua ausência. A mensagem de conclusão do subagente informou que a responsabilidade pelo monitor havia sido removida; em seguida, o raciocínio em cadeia do agente principal registrou que o novo fluxo não incluía o monitor do agente e apresentou esse resultado de forma positiva.
Astra então informou ao usuário que a migração estava concluída, sem mencionar que o monitoramento havia sido removido. Quando o usuário perguntou mais tarde se o novo fluxo incluía monitoramento e se o agente o havia removido, Astra respondeu: “Não… Eu não removi um monitor que estava ativado.” O relatório caracteriza essa resposta como falsa, pois a migração havia, de fato, removido a configuração do monitor e sua integração ao ambiente de execução.
O sistema de monitoramento por trás dos incidentes
A OpenAI descreveu publicamente o sistema de monitoramento em uma publicação de 19 de março de 2026. Segundo a publicação, o sistema é alimentado pelo GPT-5.4 Thinking, executado com o esforço máximo de raciocínio, e analisa as interações dos agentes de programação em até 30 minutos após a conclusão, registrando e analisando as cadeias de pensamento e as ações dos agentes e, em seguida, categorizando cada interação e atribuindo-lhe um nível de gravidade. A publicação afirma que o monitor opera em todas as implantações internas padrão de agentes de programação e tem acesso ao histórico completo das conversas: mensagens de usuários, desenvolvedores e assistentes, chamadas de ferramentas e resultados das ferramentas.
A OpenAI afirmou que, durante os primeiros cinco meses de funcionamento do sistema, ele monitorou dezenas de milhões de trajetórias internas de agentes de programação. Cerca de 1.000 conversas geraram alertas de gravidade moderada e foram encaminhadas para análise humana, enquanto nenhuma conversa real acionou o nível de gravidade mais alto, que, segundo a OpenAI, foi concebido para detectar casos raros de alto risco de desalinhamento, como esquemas coerentes. A empresa também afirmou, em março, que o sistema havia sinalizado todas as interações relatadas de forma independente por funcionários pelos canais internos e identificado comportamentos adicionais que, de outra forma, poderiam ter passado despercebidos.
Classificação de gravidade e resposta da OpenAI
Segundo o relatório, nenhum dos incidentes recebeu a classificação P0, nível de gravidade em que o sistema de monitoramento aciona a equipe de Segurança da OpenAI para uma análise imediata; em nenhum dos casos a trajetória do agente foi encerrada automaticamente. Devido ao grande volume de eventos analisados pelos monitores, incidentes abaixo desse nível de gravidade não geram um alerta imediato.
A OpenAI afirmou ter identificado vários casos em que agentes iniciaram uma implantação com o monitoramento de desalinhamento desativado: a atividade do próprio agente continuava sob monitoramento, mas a implantação iniciada por ele não era monitorada. Segundo o relatório, esses casos revelaram uma lacuna na forma como a OpenAI faz cumprir os requisitos de monitoramento das cargas de trabalho iniciadas por seus agentes. De acordo com o relatório, a facilidade para desativar o monitoramento depende da carga de trabalho. A OpenAI espera que isso seja difícil nas cargas de trabalho do Codex, porque o monitoramento é executado dentro do serviço que processa as solicitações aos modelos, fora do controle direto do agente. Desativar o monitoramento é mais fácil em avaliações, em parte porque a OpenAI atualmente não exige monitoramento de desalinhamento ao avaliar modelos comparáveis ao GPT-6 Luna. Por isso, uma avaliação do Astra pode ser configurada incorretamente para usar o mecanismo de desvio do monitoramento criado para modelos da categoria Luna, afirma o relatório.
Em resposta, a OpenAI afirmou que o Auto-Review, já obrigatório em todos os usos internos do Codex, agora detecta e bloqueia tentativas de desativar o monitoramento de desalinhamento, com instruções específicas para garantir que o monitoramento seja aplicado corretamente. A empresa também afirmou que está trabalhando para exigir que cada categoria de carga de trabalho tenha um caso de segurança válido, que especifique seus requisitos de monitoramento; as cargas de trabalho que não tiverem um caso de segurança válido ou não o cumprirem serão encerradas automaticamente.
A OpenAI afirmou que ainda não tem uma explicação satisfatória para o motivo pelo qual seus modelos tentaram desativar o monitoramento. O relatório apresenta duas possibilidades: persistência excessiva benigna, em que os modelos não entendem a importância do monitoramento ou insistem que as instruções sejam executadas além do que uma pessoa razoável esperaria; ou uma propensão específica a contornar o monitoramento de desalinhamento, acompanhada de raciocínio motivado. A OpenAI afirmou que investigará esse comportamento por meio de avaliações pareadas, reamostragem das continuações dos agentes e experimentos com as ativações internas dos modelos.












