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A prontidão para IA começa com dados de produto confiáveis

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Os fabricantes estão investindo pesado em IA, iniciativas de fio digital, automação e modernização empresarial para aumentar a produtividade e aprimorar a tomada de decisões. Boa parte das discussões se concentra em modelos de IA, infraestrutura e integração. Mas muitas organizações estão deixando de lado um pré-requisito fundamental para esses esforços: a confiança nos dados de produto subjacentes e nas regras de negócio que orientam as decisões operacionais.

O desafio não é simplesmente conectar sistemas, mas garantir que as definições de produto, a lógica de configuração e as regras de negócio que circulam entre eles continuem precisas. A prontidão para IA começa com a confiança nos dados de produto da empresa. A transformação digital não se resume a conectar sistemas; trata-se de preservar o significado e a precisão das informações que circulam entre eles.

À medida que as empresas modernizam os sistemas corporativos e conectam plataformas de gestão do ciclo de vida do produto (PLM), planejamento de recursos empresariais (ERP), configuração, precificação e cotação (CPQ) e serviços, as inconsistências na lógica de configuração podem comprometer silenciosamente a precisão dos processos subsequentes e a eficácia das recomendações geradas por IA. Sem uma lógica de configuração confiável, a IA acelera os erros em vez de melhorar as decisões.

Por que a configuração de produtos é o alicerce oculto

Hoje, os fabricantes dependem cada vez mais de um ecossistema interconectado que abrange PLM, ERP, CPQ, manufatura e serviços. A configuração de produtos funciona como o tecido conjuntivo que traduz a intenção da engenharia em requisitos de manufatura, vendas, precificação e serviços.

Cada sistema tem uma visão diferente do produto: o PLM precisa das informações técnicas e de projeto; a manufatura precisa saber o que pode ser produzido; e o CPQ precisa das regras de venda e de mercado. A configuração é o que conecta essas perspectivas. Quando a lógica subjacente muda ou se torna inconsistente, o fio digital se rompe, por melhor que seja a integração entre os sistemas.

Regras legadas introduzem riscos invisíveis

Os modelos de configuração de produtos frequentemente incorporam décadas de conhecimento acumulado e sobreposto ao longo do tempo: requisitos regulatórios, restrições de manufatura, exceções específicas de cada mercado e lógica de precificação. Muitas vezes, as pessoas que criaram esses modelos já deixaram a empresa, e as organizações ficam com regras que ninguém mais compreende por completo.

Projetos de modernização empresarial, como migrações para SAP S/4HANA, normalmente dão prioridade a aplicativos, infraestrutura e código personalizado, tratando a lógica de configuração como algo secundário. Isso cria um risco frequentemente ignorado: os sistemas podem ser migrados com sucesso, enquanto o comportamento da configuração muda de maneiras sutis, difíceis de detectar com os testes tradicionais.

As migrações para S/4HANA ilustram bem o problema, pois um novo mecanismo de configuração pode interpretar regras antigas de outra forma, mesmo quando a sintaxe é idêntica. Diferenças na aplicação dos valores padrão, na ordem de avaliação das restrições e na resolução de conflitos entre regras podem alterar as combinações aceitas por um modelo, sem que uma única linha das próprias regras seja reescrita.

Isso não é apenas confuso: uma lógica de configuração incorreta se torna um problema de negócio. Há duas formas de falha, e ambas são caras:

  • Uma configuração permite que a empresa venda algo que, na realidade, não consegue fabricar, o que resulta em retrabalho, compromissos não cumpridos e relações prejudicadas com os clientes.
  • Uma configuração impede incorretamente que a empresa venda algo que poderia fabricar, o que resulta em perda de receita e, possivelmente, de vantagem competitiva.

A primeira forma de falha acaba se tornando evidente no chão de fábrica. A segunda passa despercebida: nada no registro de pedidos contabiliza uma venda que o configurador nunca permitiu.

A verificação está se tornando uma capacidade estratégica

A validação tradicional de migrações depende muito de testes manuais e verificações por amostragem, que não conseguem, na prática, avaliar o enorme número de combinações possíveis de produtos. A verificação da configuração muda o foco: em vez de perguntar se os dados foram transferidos com sucesso, pergunta se a intenção de negócio foi preservada.

Já vi fabricantes formarem equipes cuja única função é confirmar que um modelo migrado continua gerando as mesmas configurações válidas e rejeitando as mesmas configurações inválidas, simplesmente porque não têm outra maneira de saber. É um trabalho minucioso, caro e demorado — e, mesmo assim, examina apenas uma amostra do problema.

Vale a pena ser preciso quanto à escala envolvida. Um modelo com 30 variáveis e cinco opções para cada uma permite aproximadamente 10²¹ combinações — muito mais do que o número estimado de grãos de areia na Terra —, e os modelos industriais reais são consideravelmente maiores. Não importa quantas pessoas cliquem em uma interface de usuário: não é possível cobrir todo esse espaço; a matemática não permite.

É por isso que os métodos formais são importantes. Em vez de amostrar combinações, um modelo de configuração pode ser compilado em uma forma lógica canônica: uma representação matemática compacta de todas as combinações válidas permitidas por suas regras. Dois modelos compilados dessa maneira podem ser comparados diretamente. Ou descrevem exatamente o mesmo conjunto de produtos válidos, ou a comparação aponta com precisão onde divergem, com exemplos concretos de combinações que um aceita e o outro rejeita. A mesma representação transforma o comportamento em tempo de execução em uma consulta, em vez de uma busca, permitindo que um configurador exiba apenas opções válidas e nunca conduza o usuário a um beco sem saída. A verificação e a correção em tempo de execução acabam sendo a mesma capacidade, abordada de duas perspectivas.

As organizações precisam cada vez mais desse tipo de comparação formal antes de aplicar IA ou automação às regras de seus produtos. O objetivo não é simplesmente reduzir o risco da migração, mas preservar a continuidade operacional em engenharia, fabricação, vendas e serviços, além de possibilitar testar, depurar e verificar modelos de configuração antes do lançamento, e não depois.

A IA deve ser aplicada sobre um mecanismo determinístico, não em seu lugar

Nada disso exige que a IA substitua o mecanismo de configuração. O modelo mais duradouro é o oposto: a IA fica entre o usuário e um mecanismo de configuração rigoroso, oferecendo uma experiência mais natural de venda guiada ou de recomendação, enquanto as regras subjacentes permanecem determinísticas. O modelo de linguagem interpreta o que o cliente está pedindo; o mecanismo decide o que de fato pode ser fabricado. Essa divisão de tarefas mantém fora do alcance de um sistema probabilístico por natureza a parte do processo que precisa ter sua correção comprovada.

Dados confiáveis são essenciais para o sucesso dos programas de IA

A IA só pode gerar recomendações tão confiáveis quanto o conhecimento sobre produtos que recebe. Dados de configuração não verificados levam a IA a disseminar erros em escala empresarial, comprometendo as orientações de vendas, as decisões de fabricação e os compromissos assumidos com os clientes.

Os fabricantes devem considerar a verificação de dados um pré-requisito para a implementação da IA, assim como os testes de software se tornaram um pré-requisito para o desenvolvimento de aplicativos. À medida que a transformação digital avança, a vantagem competitiva virá cada vez menos de implementar a IA primeiro e cada vez mais de implementá-la sobre uma base de informações confiáveis sobre os produtos.

Jesper Blak Møller é diretor de arquitetura de sistemas e cofundador da Configit. Como parte da equipe de liderança de produtos da Configit, ele tem amplo conhecimento de sistemas baseados em regras, configuração de variantes SAP e preços SAP. Além de ter doutorado em ciência da computação, sua trajetória inclui o trabalho como arquiteto de soluções no departamento de serviços profissionais da Configit, onde entregava soluções de software integradas ao SAP.