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Implantes cerebrais e modelo de IA usados ​​para traduzir pensamento em texto

Interface cérebro-måquina

Implantes cerebrais e modelo de IA usados ​​para traduzir pensamento em texto

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Pesquisadores da Universidade da Califórnia, em San Francisco, criaram recentemente um sistema de IA que pode produzir texto analisando a atividade cerebral de uma pessoa, essencialmente traduzindo seus pensamentos em texto. A IA recebe sinais neurais de um usuårio e os decodifica, podendo decifrar até 250 palavras em tempo real com base em um conjunto de 30 a 50 frases.

Conforme relatado pelo Independent, o modelo de IA foi treinado em sinais neurais coletados de quatro mulheres. Os participantes do experimento tiveram eletrodos implantados em seus cĂ©rebros para monitorar a ocorrĂȘncia de ataques epilĂ©pticos. Os participantes foram instruĂ­dos a ler frases em voz alta e seus sinais neurais foram alimentados ao modelo de IA. O modelo foi capaz de discernir a atividade neural correlacionada com palavras especĂ­ficas e os padrĂ”es alinhados com as palavras reais aproximadamente 97% das vezes, com uma taxa mĂ©dia de erro de cerca de 3%.

Esta não é a primeira vez que sinais neurais são correlacionados com sentenças, neurocientistas trabalham em projetos semelhantes hå mais de uma década. No entanto, o modelo de IA criado pelos pesquisadores mostra uma precisão impressionante e opera mais ou menos em tempo real. O modelo utiliza uma rede neural recorrente para codificar a atividade neural em representaçÔes que podem ser traduzidas em palavras. Como dizem os autores em seu papel:

“Seguindo uma sugestĂŁo dos recentes avanços na tradução automĂĄtica, treinamos uma rede neural recorrente para codificar cada sequĂȘncia de atividade neural em uma representação abstrata e, em seguida, decodificar essa representação, palavra por palavra, em uma frase em inglĂȘs.”

De acordo com a ArsTechnica, a fim de entender melhor como as ligaçÔes foram feitas entre sinais neurais e palavras, os pesquisadores experimentaram desabilitar diferentes partes do sistema. A desativação sistemĂĄtica deixou claro que a precisĂŁo do sistema se devia Ă  representação neural. TambĂ©m foi descoberto que desabilitar as entradas de ĂĄudio do sistema fazia com que os erros aumentassem, mas o desempenho geral ainda era considerado confiĂĄvel. Obviamente, isso significa que o sistema pode ser Ăștil como um dispositivo para aqueles que nĂŁo podem falar.

Quando diferentes porçÔes da entrada do eletrodo foram desativadas, descobriu-se que o sistema estava prestando mais atenção a certas regiÔes-chave do cérebro associadas ao processamento e produção da fala. Por exemplo, uma parte decente do desempenho do sistema foi baseada em regiÔes do cérebro que prestam atenção ao som da própria voz ao falar.

Embora os resultados iniciais pareçam promissores, a equipe de pesquisa nĂŁo tem certeza de como o modelo serĂĄ dimensionado para vocabulĂĄrios maiores. É importante que o princĂ­pio possa ser generalizado para vocabulĂĄrios maiores, jĂĄ que o falante mĂ©dio de inglĂȘs tem um vocabulĂĄrio ativo de aproximadamente 20,000 palavras. O mĂ©todo decodificador atual opera interpretando a estrutura estĂĄtica de uma frase e usando essa estrutura para fazer suposiçÔes sobre as palavras que correspondem a um padrĂŁo de atividade neural especĂ­fico. À medida que o vocabulĂĄrio cresce, a precisĂŁo geral pode ser reduzida, pois mais padrĂ”es neurais tendem a parecer semelhantes.

Os autores do artigo explicam que, embora esperem que o decodificador acabe aprendendo a discernir padrĂ”es regulares e confiĂĄveis ​​na linguagem, eles nĂŁo tĂȘm certeza de quantos dados sĂŁo necessĂĄrios para treinar um modelo capaz de generalizar para o idioma inglĂȘs cotidiano. Uma maneira potencial de lidar com esse problema Ă© complementar o treinamento com dados coletados de outras interfaces cĂ©rebro-computador, fazendo uso de diferentes algoritmos e implantes.

A pesquisa feita pelos pesquisadores da Universidade da CalifĂłrnia Ă© apenas um desenvolvimento recente em uma onda crescente de pesquisa e desenvolvimento em relação a interfaces neurais e computadores. A Royal Society divulgou um relatĂłrio no ano passado que previu que as interfaces neurais que ligam as pessoas aos computadores acabarĂŁo permitindo que as pessoas leiam as mentes umas das outras. O relatĂłrio faz referĂȘncia Ă  startup Neuralink criada por Elon Musk e Ă s tecnologias desenvolvidas pelo Facebook como evidĂȘncia dos prĂłximos avanços na computação orientada para o ser humano. A Royal Society observa que as interfaces humano-computador serĂŁo uma opção poderosa no tratamento de doenças neurodegenerativas, como o mal de Alzheimer, nas prĂłximas duas dĂ©cadas.

Blogueiro e programador com especialidades em Machine Learning e Deep Learning tópicos. Daniel espera ajudar outras pessoas a usar o poder da IA ​​para o bem social.