Cibersegurança
Bolster AI Revela Escala Fabricada por Trás do Mercado de Falsificação da Dark Web

Bolster AI, em 3 de setembro de 2026, publicou uma pesquisa que relata que um mercado hospedado na rede Tor, que vendia moeda falsificada, criou a aparência de escala, segurança e legitimidade para atrair compradores, constatando que o sistema de pagamento do site gerou menos de 2.400 pedidos, enquanto seus três principais vendedores exibiam um total combinado de 57.803.
De acordo com o anúncio da empresa, o Threat Intelligence Lab da companhia, sediada em Santa Clara, Califórnia, passou nove dias monitorando o mercado, que ela chama de ShadowMarket. Os três vendedores alegaram pedidos em cinco moedas: dólares dos EUA, libras esterlinas, euros, dólares canadenses e dólares australianos. A empresa caracterizou a operação como falsificação da própria confiança, e não apenas da moeda.
Contagens de Pedidos e Registros de Pagamento Divergiram
Em 123 capturas do site, os pesquisadores observaram 27 alterações nas contagens de pedidos dos vendedores, e cada mudança ocorreu entre 00:00 e 06:00 UTC, em vez de ao longo do dia, como as compras aconteciam, informou a empresa. As contagens de pedidos anunciadas pelo mercado mudaram apenas durante esse mesmo intervalo de seis horas durante a noite, enquanto os pagamentos foram roteados por cerca de 600 endereços de Bitcoin reutilizados. Segundo os pesquisadores, os supostos vendedores independentes também compartilhavam a mesma infraestrutura de pagamento.
A Bolster AI também informou ter descoberto um ponto de pagamento exposto, numerado sequencialmente, que revelou o mapeamento de pedidos para endereços de Bitcoin do mercado. A empresa afirmou que reportou a vulnerabilidade pelo canal adequado, em vez de explorá‑la, e que não realizou transações com o mercado durante a investigação.
Recursos de Segurança Anunciados, mas Ausentes no Código
Os pesquisadores descreveram as alegações de segurança do mercado como não sustentadas pela sua implementação. O “Sistema de Custódia Multisig” anunciado pelo site não continha geração de chave para o comprador, PGP ou funcionalidade multisig no código examinado pelos pesquisadores, afirmou a empresa. As comunicações comprador‑vendedor eram transmitidas ao servidor do mercado sem criptografia de ponta a ponta, apesar de serem promovidas como mensagens seguras. Endereços de Bitcoin e valores de pagamento também eram enviados a um serviço de terceiros na internet pública para gerar códigos QR, estendendo os dados de pagamento além da dark web.
Dinesh Arora, do Threat Intelligence Lab da Bolster AI, disse que a autenticidade das notas à venda não pode ser confirmada a partir de fora da plataforma. “As notas falsificadas à venda podem ser de papel, polímero ou nada, e de fora da plataforma isso não pode ser provado de nenhuma forma. O que podemos provar é que a confiança que o mercado vende é fabricada. As contagens de pedidos, a custódia, os selos de proteção ao comprador — tudo isso foi projetado para que a primeira compra pareça segura. A credibilidade é o produto, e a credibilidade é falsificada”, afirmou.
Rod Schultz, CEO da Bolster AI, afirmou que a infraestrutura de fraude se tornou muito eficaz em parecer legítima. “Os invasores entendem que a confiança é o que converte um visitante em vítima, portanto a fabricam”, disse, acrescentando que a empresa observa o mesmo roteiro em sites de personificação, lojas fraudulentas e outros ataques que visam marcas legítimas e seus clientes.
Dados de Falsificação do Banco da Inglaterra
O anúncio observou que a investigação ocorre enquanto as detecções de notas falsificadas aumentam em alguns grandes mercados. Segundo as estatísticas de notas do Bank of England, aproximadamente 200.000 notas falsificadas foram retiradas de circulação em 2025, com valor nominal de £3,97 milhões; em 2024, os números foram 99.000 notas, com valor nominal de £2,095 milhões. O comunicado descreveu o total de 2025 como mais que o dobro do ano anterior. Os dados de 2025 do Bank of England incluíram 178.000 notas falsificadas de £20, 15.000 de £10, 5.000 de £50 e 2.000 de £5, enquanto outras 18.000 notas foram registradas como removidas antes de entrar em circulação por apreensões em massa. Os números do banco central são arredondados para o milhar mais próximo e incluem falsificações tanto de séries atuais quanto de séries antigas.
O Bank of England afirma que a falsificação diminuiu substancialmente desde 2019, citando a introdução de notas de polímero mais robustas, a retirada de designs de papel antigos, ações policiais contra fontes e distribuição, e a transição geral para pagamentos eletrônicos. As notas falsificadas são removidas de circulação pelos bancos e pela polícia e enviadas ao banco central para análise. Com mais de 4,98 bilhões de notas do Bank of England em circulação, avaliadas em cerca de £91,5 bilhões, as notas falsificadas representaram tipicamente menos de 0,0041 % das notas em 2025, ou menos de 1 em 24.390, informou o banco.
Evidências Compartilhadas com as Autoridades
A Bolster AI disse que compartilhou suas descobertas com as autoridades policiais e financeiras relevantes antes da publicação. A empresa afirmou que preservou o conjunto completo de evidências, incluindo capturas com carimbo de data/hora, código recuperado e endereços de Bitcoin observados, e que o disponibilizará para as forças de segurança verificadas mediante solicitação.
A empresa também anunciou um briefing ao vivo programado para 10 de setembro de 2026, que, segundo ela, levará os participantes ao interior da investigação, analisará as descobertas e discutirá o que elas revelam sobre como os golpes online fabricam confiança.












